terça-feira, 24 de junho de 2008

Eu quero o meu Sertao de volta

Como eu prometi, estou transcrevendo o texto do Anselmo, leiam com bastante atençao, se discordarem sintam-se a vontade em escrever no blog ou melhor ainda, podem escrever para o autor do texto, ele vai adorar. kkkk
Bjsssssssssss.

Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem.

O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta “beber, cair e levantar”, ou “dinheiro na mão e calcinha no chão” ? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando “vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado” ? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.

E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?

Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forro! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de “forró eletrônico”! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.

Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática! Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral.

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!

Mas, felizmente, há exemplos que podem ser seguidos. A Prefeitura do Recife tem conseguindo realizar um São João e outras festas de nosso calendário cultural com uma boa curadoria musical e retorno excelente de público. A Fundarpe tem demonstrado a mesma boa vontade ao priorizar projetos de qualidade e relevância cultural.

Escrevendo essas linhas, recordo minha infância em Serra Talhada, ouvindo o maestro Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax, em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu do Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta!

Anselmo Alves

j.anselmoalves@hotmail.com

 

Eu sou radical, kkkkkkkkk

Nesse ano eu tive a feliz oportunidade de assistir um show, que pra mim foi o melhor que eu vi em Recife nesses últimos 3 anos: Monica Salmaso e o Grupo Pau Brasil, simplesmente tudo funcionava, foi uma soma de talentos (Monica e Pau Brasil sem comentários); uma produção eficiente o que significa um som de qualidade, bem equalizado, iluminação bem dirigida sem excessos, um publico atento, silencioso nos momentos certos (isso é raro) rendidos a beleza da musica brasileira tratada com respeito, o que tem sido difícil de encontrar atualmente em terras brasileiras onde o que vale sao as interpretações medíocres, canções inclassificaveis que a midia faz questão de divulgar, alimentando assim ainda mais a ignorância musical do povo que nao se toca de que estão sendo massificados e arrasados por essa midia NOJENTAAAAAAAA que divulga (creos e CIA Ltda.).
Quando eu vejo o retrato musical de um Brasil que realmente canta, que de fato respira musica, sinto-me confortada, nem que seja por um breve instante nasce em mim um fio de esperança de quem sabe um dia a nossa musica seja tratada com respeito.
Eu assumo que sou radical, nao purista, mas me angustia muito perceber o quanto a musica brasileira se tornou capenga, simplista, sem brilho, sem poesia. Mas, ainda resta um poquito de fé, espíritos brilhantes que se apercebem dessa arte e começam a sensibilizar artistas como: Rui Ribeiro, D. Selma, Paulo, A mesa autoral de samba, O Arabiando, Gonzaga Leal, Geraldo Maia, Claudinha Beija, Serginho Godoy, a Banda de Pau e corda (vale um registro a parte: a Banda é de uma importância expressiva na musica brasileira e que simplesmente os orgaos públicos e produtores ignoram) Karina, Lucas dos Prazeres, Arimateia, Marco Cesar, Adalberto, George, Alex, Evandro, Chocho (perseverante com seus 84), Noel Tavares, Lais Bezerra, Xico Bizerra (com x e i como ele gosta) Herbert, os meninos do Fim de Feira, o Sagrama (acordem para este grupo, por favorrrrrrrrrr)Kaika, Publius, Tonino, Rabecado, Anselmo (pense no orgulho que é pertencer ao ciclo de amigos dessa pessoa, na próxima editarei um texto dele, fantástico) é muita gente, citei alguns com os quais eu tenho mais proximidade, mas eu sei o quanto tem pessoas envolvidas por todo esse nosso querido Brasil engajados e comprometidos com a credibilidade e o respeito a nossa musica.
Bem gente encerro por hoje, mas vou continuar a escrever sobre esse tema, até porque,  Pernambuco por ser um celeiro de importantes artistas, precisa deixar de criar guetos e ser mais cosmopolita, kkkkkkkk deixa pra la, essa historia é pra outro dia.
Beijosssssssssssssssssssss

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Eu sou canario do reino.

Rssss, bom, cantar em qualquer lugar, nao sei. 
Nao precisa de dinheiro pra me ouvir cantar, (kkkk) PRECISA.  Essa historia de que musico canta e toca por bebida e por comida, já passou faz um tempinho, pagar musico com vale transporte, entao kkkk é piada. Mas essa historia eu fui testemunha, posso até contar...
Em 2004 eu fui procurada por uma pessoa, que obviamente eu nao vou citar o nome, pra participar de um projeto de bastante relevância pra divulgação da cultura pernambucana, no caso o grupo que eu participava na época, ao fazer a proposta a pessoa responsavel citou o nome de um maestro que havia topado participar nas seguintes condiçoes: como o projeto estava iniciando ele assumia junto aos musicos pagar dois vales transportes e um lanche, qual foi a minha surpresa ao receber a mesma proposta, kkkk , isso nao existe, eu fiz a seguinte pergunta ao contratante: eu consigo comprar na padaria, ou mesmo, pagar uma consulta com vale transporte? vc tem noção de quanto custa a manutençao de um bom instrumento? com isso eu sai rindo e finalizei a historia, nao da nem pra negociar. Pois é, chega desse papo de que musico e cantor tem que se submeter a tudo pra ter espaço, o espaço colega é teu talento, teu trabalho, investe, acredita e tua hora chega.
Beijosssssssssssssssss